RESPUBLICA EUROPEIA

Direito Comunitário e Assuntos Europeus. Por João Pedro Dias

Jacques Chirac, o «europeu»?

leave a comment »

Photo Sharing and Video Hosting at PhotobucketEm artigo de opinião ontem publicado n’O Público (link indisponível), Teresa de Sousa traça um pormenorizado e interessante retrato político de Jacques Chirac, agora que se aproxima o fim do seu consulado de 12 anos no Palácio do Eliseu, em França. A peça jornalistica é deveras interessante e permite-nos recordar os momentos capitais e os mais marcantes traços da personalidade do ainda chefe de Estado francês. O seu percurso ziguezagueante, a sua personalidade controvertida, a funcionalização da sua actuação à estrita consideração dos seus interesses pessoais e da sua ambição política, a errância das suas opções político-ideológicas, a oscilação entre a fidelidade ao pensamento gaullista e a devoção ao seu sucessor Pompidou.. Mas também o seu inegável amor a França e a sua entrega à causa pública francesa. De tudo isto se pode retirar um pouco do impressivo texto de Teresa de Sousa. Onde também é exaltada a entrega de Chirac ao projecto europeu e à causa da Europa. Trata-se, salvo melhor juízo e diferente opinião, do aspecto menos consensual do texto em referência. Sem podermos antecipar juízos que apenas a história permitirá fazer e que só a distância temporal permitirão credibilizar, não cremos que seja dado por seguro que Chirac possa vir a enfileirar na galeria dos europeus ilustres de entre os mais ilustres. Não se lhe reconhece uma visão e um pensamento político para a Europa visto por outro prisma que não o do exclusivo interesse francês. Não se lhe atribui um papel liderante na superação e ultrapassagem das dificeis e graves crises que a Europa da União enfrentou durante o seu consulado. Dificilmente se poderá ver em Chirac um homem de consensos mas, pelo contrário, podemos associá-lo a alguns dos mais negativamente marcantes momentos que o projecto europeu conheceu no seu passado mais recente. Não foi, apenas, o Presidente que desrespeitou a palavra internacional da França retomando os ensaios nucleares na Polinésia francesa; foi, também, o polarizador da clivagem entre a «velha Europa» e a «nova Europa» a propósito da crise iraquiana e da divisão então surgida no seio da União da mesma forma que foi o interlocutor quase grosseiro de Blair que não ousou mandar calar os chefes de Estado e de governo dos novos países do alargamento quando os mesmos ousaram contrariar a sua visão e a sua versão dos factos. Sempre em nome da defesa do interesse francês – decerto; sempre desconfiando da postura e da diplomacia de Washington – seguramente. Raramente, porém, considerando o interesse europeu que só relevava quando coincidia com o interesse de Paris.

Anúncios

Written by Joao Pedro Dias

2 Abril 2007 às 3:38 pm

Publicado em Jacques Chirac

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s