RESPUBLICA EUROPEIA

Direito Comunitário e Assuntos Europeus. Por João Pedro Dias

Soube-se hoje que, no decorrer do próximo ano, Sua…

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Soube-se hoje que, no decorrer do próximo ano, Sua Santidade o Papa Bento XVI irá visitar oficialmente a Turquia, aceitando o convite que lhe foi dirigido pelas autoridades de Ancara. Quem pensar que se trata apenas de uma visita pastoral estará, por certo, enganado. Como enganados estarão todos aqueles que virem no convite dirigido ao chefe da Igreja católica por parte do governo turco apenas uma intenção ecuménica ou de âmbito religioso. Sem o terem afirmado explicitamente, convidado e convidante sabem perfeitamente que o convite não deixará de ser avaliado num outro plano, não deixará de ter inevitáveis repercussões e leituras políticas. Para o governo de Ancara, trata-se de uma evidentíssima e óbvia «operação de charme» ou de relações públicas junto do mundo ocidental, tentando assim aplacar alguns entraves e algumas resistências à, cada vez maior, oposição que vem tendo a ideia de adesão turca à União Europeia. E o Santo Padre sabe – nisso a diplomacia vaticana não é ingénua – que a aceitação do convite, para lá da dimensão ecuménica que supõe, terá essa óbvia leitura política. Leitura que não deixa de ser diametralmente oposta daquela que, até à data, vinha a ser a posição do Vaticano expressa pelo saudoso João Paulo II – e a posição do próprio Bento XVI sob a veste de Cardeal Joseph Ratzinger. Cardeal Ratzinger, de resto, que do alto da cadeira de Pedro, não resistiu a, subtilmente, interferir na campanha eleitoral da sua Alemanha de origem onde, no momento que passa, recta final de uma disputadíssima campanha visando as eleições legislativas do próximo domingo, a questão turca é um dos temas fracturantes entre os partidos da direita (CDU, CSU e FDP) e da esquerda (SPD e Verdes), com aqueles a recusarem em absoluto a ideia de ingresso de Ancara na Europa da União – oferecendo, em alternativa, um acordo de associação ou uma parceria privilegiada entre a UE e a Turquia – e estes a aceitarem totalmente essa adesão. Fazendo saber, no exacto momento em que o fez, da sua viagem à Turquia, não podendo ignorar as leituras que tal divulgação teria, sabendo da divisão que o tema suscita neste exacto momento na sua Alemanha natal, Bento XVI (ou Joseph Ratzinger?), com toda a subtileza própria da diplomacia vaticana, não resistiu a tomar partido sobre esta questão controversa (doravante será muito mais difícil ao chefe do governo do Vaticano opor-se à adesão turca à UE) e, mesmo, a tomar partido implícito sobre as eleições no seu próprio país. Para um Sumo Pontífice tido como de direita, retrógrado e conservador, não está mal de todo…..
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Written by Joao Pedro Dias

16 Setembro 2005 às 6:11 pm

Publicado em Uncategorized

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