RESPUBLICA EUROPEIA

Direito Comunitário e Assuntos Europeus. Por João Pedro Dias

A Europa, na pátria da sua mais antiga democracia,…

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A Europa, na pátria da sua mais antiga democracia, viveu outro dia trágico, no que à violência terrorista diz respeito. Sem olhar a meios nem a vítimas, o ódio sanguinário voltou a mostrar que não escolhe nem elege – mata a eito, assassina sem dó nem piedade, fiel à lógica que o objectivo será tão mais conseguido quanto mais sangue inocente fizer jorrar, quanto mais vítimas conseguir tolher. Mostrando supremo desrespeito por tudo quanto signifique valores, cultura, civilização. É o reino puro da barbárie onde se mata pelo prazer de matar. É falso e é mentira que tal seja feito em nome de qualquer civilização – pelo simples facto de que isso é a contradição nos próprios termos. E muito menos que seja feito em nome de algum deus – por muito menor que ele seja. Deus algum, pela sua própria natureza, pode justificar o mal e a morte. Resta-nos, portanto, que tais actos apenas podem ser fundados (que nunca justificados) numa realidade bem mais prosaica e bem mais comum – simples delinquentes (que sempre e em toda a parte os houve) que beneficiam do progresso da técnica para semearem o terror e a barbárie em escalas nunca antes alcançadas. Como valores alguns podem justificar tamanha falta de valores, resta encarar os respectivos autores como aquilo que eles de facto são – delinquentes de direito comum que como tal devem ser tratados, combatidos e julgados. Sem qualquer complacência. Decerto – nestas horas de pavor, somos sempre confrontados com o habitual e interior dilema: dever-se-á, ou não, demonstrar o padrão civilizacional a que chegámos, tratando o delinquente com o respeito com que a nossa civilização manda tratar qualquer ser humano, por muito culpado que o mesmo seja, ou devemos mandar às urtigas o nosso padrão civilizacional e ater-nos à bem mais prosaica lei de talião que manda punir olho por olho e dente por dente? Se a emoção nos leva para uma dada resposta, a prudência da razão aconselhar-nos-á um caminho diferente. E o dilema permanecerá sem resposta… Uma coisa, porém, pode ser dada como adquirida: na guerra sem tréguas e sem quartel que moveu à civilização ocidental, o terrorista leva sempre vantagem. É como se de um jogo de xadrez se tratasse, em que o terrorista joga sempre com as peças brancas, significando que tem sempre a iniciativa; e em que dos dois jogadores, apenas aquele que joga com as peças negras está obrigado a seguir as regras; a quem joga com as peças brancas, tudo é permitido. Ora, enquanto assim for, poucas dúvidas haverá sobre quem poderá ganhar um tal jogo, tão desigual são as condições de ambos os contendores.
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Written by Joao Pedro Dias

8 Julho 2005 às 1:33 am

Publicado em Uncategorized

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